Manifesto.
Sempre refleti a respeito da influência do design em nossas vidas. Algumas perguntas persistiram por muitos anos:  O design é responsável por provocar o consumo irresponsável? O design é superficial? O design contribui para uma sociedade desigual e menos sustentável? O design é importante para a vida das pessoas? Naturalmente, outros questionamentos pessoais também foram surgindo: o que faço tem uma real utilidade? Como posso contribuir para um mundo melhor? É possível fazer design com responsabilidade?

Refletir sobre tudo isso nos faz observar com mais atenção e clareza. Nos faz perceber uma grande mudança que começou a acontecer no mundo. Mudança feita por pessoas que veem propósito nas ações, no bem estar coletivo, na qualidade de vida. Que acreditam na responsabilidade ambiental e na possibilidade de construir uma sociedade sustentável, igualitária e justa.

O design nasce com propósito de proporcionar bem estar às pessoas. Mas o incentivo ao consumo desenfreado encontrou na disciplina os recursos necessários para tornar os produtos mais atraentes. Ao longo dos anos, a corrida pelo crescimento econômico passou a ditar as regras e o design se tornou escravo de uma indústria que não tem como prioridade o bem estar e a qualidade. Que tem como propósito apenas o lucro e faz isso a qualquer custo. A indústria e o consumo sem propósito banalizaram o design. E o design se deixou levar — uma boa forma de entender a respeito é através do documentário The True Cost.

Por outro lado, muitas pessoas acreditam que é possível mudar. E muitas dessas pessoas estão por trás de marcas que estão inspirando outras a representarem a mudança. Marcas que entenderam que mudar não é apenas uma questão de princípio, mas de sobrevivência.

A Patagônia é um exemplo retratado no documentário The True Cost por ir contra essa corrente do consumismo. “Tudo o que fazemos toma algo do planeta que não podemos devolver” é o início de um dos pronunciamentos da marca que demonstra a consciência de que os recursos são finitos. Em um dos depoimentos, o vice-presidente esclarece que as atitudes podem ser exemplo e isso desperta nas pessoas a vontade de questionar e fazer parte da mudança.
Atitudes como essa me inspiraram.

Mas e o design?
O design é uma ferramenta transformadora e pode ajudar a reverter esse cenário.
Essa disciplina tem sua parcela de responsabilidade em provocar o consumo irresponsável quando aceita desenvolver projetos superficiais. Por outro lado há muitos profissionais dedicados a reverter esse cenário. Quando isso acontecer de forma mais intensa, teremos uma divisão clara entre o que é design e o que não é.

Nesse sentido o design pode escolher qual caminho quer seguir: retomar a sua essência ou continuar contribuindo para a superficialidade. Essa escolha pode mudar também se o design deve se tornar mais inclusivo ou apenas servir a poucos e se manter associado a produtos e serviços não acessíveis.

Carbono é uma forma que encontrei de tentar retomar a essência do design. Acredito que posso ajudar pessoas questionadoras a encontrarem um espaço em um mercado extremamente competitivo. A desenvolver projetos de valor, que melhorem a vida de outras pessoas e que sejam inclusivos e sustentáveis.

Através do estúdio assumi o papel de ser uma pedra no sapato dos clientes por constantemente questioná-los sobre a responsabilidade ambiental e principalmente sobre o propósito de seus produtos e serviços. O que está fazendo é realmente significativo? Sua empresa valoriza os colaboradores e se compromete com o resultado? Você se compromete em entregar com excelência o que está prometendo? Tenho aprendido muito com eles e me surpreendido pelo extremo comprometimento que assumiram. São pessoas apaixonadas pelo que fazem. Por terem seus projetos como plano de vida e por acreditarem em algo maior, valorizarem as pessoas e se comprometerem com os resultados.
Os clientes também me inspiram.

Você se identifica?
Vamos construir algo de valor juntos?

Adilson Gonzales